terça-feira, 9 de setembro de 2014

SORORIDADE - Alanis Morissette (vídeo legendado)



"Sister Blister"
de Alanis Morissette 

video


Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=krPsXdvQXCs



"(...)
Sister blister, we fight to please the brothers
We think their acceptance is how we win
They're happy we're climbing over each other
To beg the club of boys to let us in

(...)
But such a cost to dishonor a sister

You and me have made it harder for the other
We forget how hard separatism has been
(...)"

domingo, 24 de agosto de 2014

Como as Políticas do Orgasmo Sequestraram o Movimento Feminista


Texto originalmente publicado em:
http://hysterocracya.blogspot.com.br/2009/10/como-as-politicas-do-orgasmo.html


Por que o orgasmo seduziu tantas feministas – até a revista Ms. – a uma contra-revolução interna?
Sheila Jeffreys


A edição de novembro/dezembro de 1995 da revista Ms., com o título de capa SEXO QUENTE E ESPONTÂNEO, mostrava o close de uma mulher negra lambendo seus lábios pintados. A despeito de todo esforço feminista que tem sido feito nos últimos 25 anos para criticar e contestar a construção supremacista masculina do sexo, nenhum dos quatro artigos da revista fazia menção a todos os outros aspectos da vida e do status social da mulher. Em destaque em um dos artigos estava uma frase do livro de Barbara Seaman de 1972, intitulado Livre e Mulher: “O orgasmo livre é um orgasmo que você gosta, em qualquer circunstância”. Julgando por essa edição de Ms., e pelas prateleiras de contos eróticos para mulheres em livrarias feministas, uma política de orgasmo irreflexiva parece ter se estabelecido.


No final da década de 1960 e no começo da década de 1970, acreditava-se amplamente que a revolução sexual, ao libertar a energia sexual, tornaria todos livres. Eu me lembro de Maurice Girodias, que publicou A História do O em Paris pela Olympia Press, dizendo que a solução para regimes políticos repressivos seria postar pornografia em todas as caixas de correio. Orgasmos melhores, proclamou o psicanalista austríaco Wilhelm Reich, criariam a revolução. Naqueles tempos inebriantes, muitas feministas acreditavam que a revolução sexual estava intimamente ligada à libertação das mulheres, e elas escreviam sobre como orgasmos poderosos trariam poder às mulheres.

Dell Williams é citado em Ms. como tendo aberto uma sex shop em 1974 exatamente com essa idéia, a de vender brinquedos sexuais para mulheres: “eu queria transformar as mulheres em seres sexuais poderosos... Eu acreditava que mulheres orgásmicas poderiam mudar o mundo.”

Desde os anos 60, sexólogos, libertários sexuais e empresários da indústria do sexo procuraram discutir o sexo como se fosse completamente dissociado da violência sexual e não tivesse nenhuma relação com a opressão de mulheres. Enquanto isso, teóricas feministas e ativistas anti-violência aprenderam a analisar o sexo politicamente. Nós vimos que o domínio masculino sobre os corpos de mulheres, sexualmente e reprodutivamente, provê a base da supremacia masculina, e que a opressão na sexualidade e através dela diferencia a opressão de mulheres da de outros grupos.

Se nós temos alguma chance de libertar as mulheres do medo e da realidade do abuso sexual, a discussão feminista da sexualidade deve incorporar tudo que sabemos sobre violência sexual ao que pensamos sobre sexo. Mas atualmente conferências feministas oferecem workshops separados, em locais diferentes, de como aumentar o “prazer” sexual e de como sobreviver à violência sexual – como se esses fenômenos fossem isolados. Mulheres que se intitulam feministas agora afirmam que a prostituição pode ser benéfica às mulheres, para expressar sua “sexualidade” e fazer escolhas de vida empoderadoras. Outras promovem às mulheres práticas e produtos da indústria do sexo com fins lucrativos, na forma de striptease lésbico e parafernália de sadomasoquismo. Existem agora setores inteiros de comunidades femininas, lésbicas e gays onde qualquer análise crítica da prática sexual é vista como um sacrilégio, estigmatizada como “conservadorismo”. A liberdade é representada como a conquista de orgasmos mais intensos e melhores por qualquer meio possível, incluindo “leilões sexuais”, prostituição de mulheres e homens, e danificação física permanente como branding. Formas tradicionais de sexualidade supremacista masculina baseadas na dominação e submissão e a exploração e objetificação da classe escravizada de mulheres estão sendo celebradas por suas possibilidades excitantes e “transgressoras.

Bem, a pornografia está nas caixas de correio, e os artefatos para orgasmos cada vez mais poderosos estão prontamente disponíveis através da indústria internacional do sexo. E em nome da libertação feminina, muitas feministas hoje em dia estão promovendo práticas sexuais que – longe de revolucionar e transformar o mundo – estão profundamente envolvidas nas práticas do bordel e da pornografia.


Como isso pode ter acontecido? Como pode a revolução das mulheres ter entrado em curto-circuito? Eu sugiro que há quatro razões.




Razão Número 1
Vítimas da indústria do sexo tornaram-se “experts” do sexo.


O capitalismo sexual, que encontrou uma forma de transformar em bem consumível praticamente todo ato de subordinação sexual imaginável, encontrou até mesmo uma forma de remodelar e reciclar algumas de suas vítimas. Como resultado, um grupo de mulheres que têm uma história de abuso e aprenderam sua sexualidade servindo aos homens na indústria do sexo agora podem, frequentemente com o patrocínio de empresários homens da indústria do sexo, promover-se como educadoras sexuais nas comunidades lésbicas e feministas. Algumas dessas mulheres “bem-conceituadas” – que dificilmente representam a maioria das vítimas da indústria do sexo – conseguiram lançar revistas como a On Our Backs (para praticantes de 'sadomasoquismo lésbico') e montar negócios de striptease e pornografia. Muitas mulheres aceitaram erroneamente essas mulheres, antes prostituídas, como “experts” sexuais. Annie Sprinkle e Carol Leigh, por exemplo, reintroduziram práticas misóginas da indústria do sexo em comunidades femininas. Essas mulheres lideraram a ridicularização direcionada àquelas de nós que disseram que o sexo pode e deve ser diferente.

Ao mesmo tempo, algumas mulheres que lucraram com o livre mercado capitalista nos anos 80 exigiram igualdade sexual e econômica em relação aos homens. Elas escaparam, e agora querem usar as mulheres como homens o fazem, então consomem pornografia e demandam por clubes de striptease e bordéis onde mulheres as sirvam. Essa não é uma estratégia revolucionária. Não há aqui uma ameaça ao privilégio masculino, ou uma chance de libertar outras mulheres de seu status sexual subordinado. E, mais uma vez, os homens se tornaram o padrão para todas as práticas sexuais.

sábado, 23 de agosto de 2014

Elitismo mascarado mostra as garras: IMS - mais de 100 comentários apagados

Comentário APAGADO do "blog do IMS"

A HISTÓRIA
Eis que uma redatora, Juliana Cunha, publica o seguinte post:
http://www.blogdoims.com.br/ims/um-pinto-contra-francisco-sa-por-juliana-cunha.

QUANDO acessei o sítio e ESCREVI meu comentário, 
o post já continha - **APÓS APROVAÇÃO PRÉVIA** - **mais de CEM** comentários, muitos acrescentando camadas e camadas de conteúdo crítico, ausente/negativo na formulação da autora
(e, por consequência, do "blog" - que é parte de uma grande empresa, uma corporação, na verdade).

Dias depois, surpreendi-me ao acessar o post e me deparar com os comentários APAGADOS. SEM QUALQUER JUSTIFICATIVA, COMO SE NUNCA HOUVESSEM SIDO PUBLICADOS.
Só ficou o post original reproduzindo conteúdo discriminatório em relação a classe, raça e gênero.


Então, agora, publico aqui
meu comentário que foi APAGADO, após ter sido aprovado -
apagamento que demonstra a postura do Instituto:
autoritária, anti-democrática E
DE CONTEÚDO "CRÍTICO" PURAMENTE FORMAL.
Ressalte-se que minha crítica à postura (não à pessoa) da autora concentra-se no comentário; e minha crítica em relação ao "blog do IMS" dirige-se à atitude deliberada autoritária, dentro de um ambiente (anteriormente considerado) de debate democrático. Evidente, tal atitude demonstra a visão política (bem) mais ampla da direção do referido "blog".


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" 'Feminismo branco e de classe média' só se for o seu, sempre andei a pé e usei transporte coletivo a vida toda, fui assediada, ameaçada (por muita sorte, não fui estuprada)  - como todas as mulheres que OUSAM por os pés no espaço público.

Tem de falar com chefe SIM, independente de registrar ou não BO (na delegacia, onde obviamente haverá muito mais desrespeito).

Empresa tem de ser responsabilizada se funcionário comete assédio em horário de trabalho,  quem não viu a questão de classe foi você, autora, que provavelmente não sofre sistematicamente assédio nas ruas por estar 'protegida' dentro de seu automóvel.           

O Portal Geledés - feminismo negro e da classe trabalhadora - posicionou-se de forma bem diferente da sua: http:// www.geledes.org.br/o-dia-em-que-uma-estudante-cansou-de-ser-assediada/.

Autora, sua posição me ENOJA, ao defender assédio sexual - cujo caráter sistemático é um dos pilares da cultura do estupro.

Como se por ser da MINHA classe social, o homem ganhasse o privilégio de violentar impunemente mulheres - e o tom da sua defesa, evidentemente, expande o poder de perpetrar a violência sexual 'justificada' (! -  no seu 'raciocínio' ALIENADO), na prática, contra mulheres de TODAS as classes sociais. 

Ironicamente (em relação ao seu 'raciocínio'), as mais atingidas são justamente as pobres e negras."
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OBSERVAÇÃO:
Na internet, dentro de círculos, já se criaram algumas regras de boa convivência. Destre estas, entra a participação do público - geralmente identificado - em comentários de publicações, os quais, na maior parte das vezes, passam por aprovação prévia mediante análise do conteúdo, ou seja, são comentários moderados (passaram por moderação).
Eu, particularmente, NUNCA VI comentários já moderados serem simplesmente deletados. Ou seja, o Instituto considera "lixo" (jogou fora) a manifestação - maior parte de ótimas argumentações - de seus próprios leitores.

BACK TO BLOG - Posicionamento: que feminismo?

Como já é de amplo conhecimento das feministas, o Feminismo é um movimento social fundamentado em alguns princípios elementares, não hierarquizado*, e que carrega significativas divergências internas.

Por exemplo, expressões como "sex positive" e "sex negative" foram formuladas por grupos específicos (que se auto-denominaram "positive"), para contrapor outros grupos (denominados, por aqueles, "negative"), os quais vêm perdendo força social  (descrição obviamente superficial).

Evidentemente, o rótulo "sex negative" é, intencionalmente - dentro das disputas de poder - super pejorativo, além de bem sacana (no mau sentido - ou seja, não sexual): se você criticar a exploração da prostituição ou a indústria da pornografia (independente da pertinência da crítica), será rotulada (independente da fundamentação dx rotulador/a) como alguém que "não gosta de sexo". Infantilidade pra dar e vender, nível quinta série.

Os "sex positive" rotulam como "libertação" - no caso, sexual - quase qualquer (única exclusão, praticamente, é o estupro) ação/iniciativa supostamente "individual" no sentido da prática sexual, bem como, no sentido de representações desta prática.

Tal posicionamento ACRÍTICO em relação às condicionantes sociais, à estrutura da sociedade capitalista - mormente considerando o desenvolvimento da indústria midiática, em progressão geométrica desde, mais ou menos, a década de 1.950 - assenta-se no individualismo metodológico (questão que não desenvolverei agora). Pessoalmente, gosto muito de uma vlogueira que compartilha da visão "sex-positive/sex-negative", Laci Green, que estudou justamente numa das universidades do oeste estadunidense onde tal visão se desenvolveu.

No Brasil, setores de classe média/classe média alta apropriaram-se da dupla "positive-negative", e seu discurso tem sido denominado "feminismo liberal". Discordo VEEMENTEMENTE de tal elogio ("feminismo liberal"), pois esses discursadores não fazem mais que re/produzir ideologia; e não lutar por "direitos individuais" - UNIVERSAIS - das mulheres. Vamos combinar, "direitos individuais" restritos a uma parcela pequena da população é uma distorção conceitual descabida.

Tais setores/movimentos vêem a prostituição, a cafetinagem e a indústria pornográfica (produções cada vez mais explicitamente misóginas) A PARTIR DO PONTO DE VISTA DE CLASSES PRIVILEGIADAS: interpreta-os como "liberdade" individual.
Pior, impõem tal interpretação (já que, é claro, têm posição privilegiada também nos discursos sociais) à maioria da população, que não faz parte daquelas classes sociais**:  numa manobra - infelizmente consciente -  intelectual/social denominada por K. Marx como "ideologia".

O diálogo entre "direitos individuais" e "direitos coletivos" é um processo (ok, tautológico, pois toda a história vivida e escrita são processos...) de difícil equilíbrio. Entretanto, é preciso enfrentá-lo em toda sua aspereza e concretude, e desconfiar de saídas fáceis, tais como bradar suposta liberdade individual da mulher (só se for de classe média/média alta, e olhe lá), fugindo da questão coletiva (quais relações de gênero são produzidas e reproduzidas por discursos também imagéticos? etc.) e da ESTRUTURA social capitalista.

Não abro mão, de maneira nenhuma, da defesa dos direitos individuais (liberalismo político) - sempre lembrando que MULHERES SÃO GENTE- , nem do processo permanente de construção da democracia (democracia x autoritarismo/ditaduras).

Mas é preciso ressaltar que
tal discurso "sex positive" e afins
NADA tem de "FEMINISMO LIBERAL"
mas sim trata-se de um discurso puramente ideológico de classe 
- produzido por SETORES de classe média-média alta.

Defendo a liberdade e os direitos individuais
- que merecem a denominação se
se estenderem EFETIVA e CONCRETAMENTE (= não "idealmente")
às  mulheres de TODAS as condições sociais.

(ou seja, não restritos a mulheres de uma classe sócio-econômica bastante específica - sendo que tal estrutura social não se modificará a curto /médio prazos - e tais movimentos nem se pautam por modificar tal estrutura).

Sou feminista, liberal
(liberalismo POLÍTICO, não econômico)
e o discurso daqueles SETORES
NÃO  ME  REPRESENTA , JAMAIS!!!


* diversos níveis de hierarquização de discursos, conforme a própria estrutura social hierárquica na qual as produtoras desses discursos encontram-se inseridas.
** necessário levar em conta não apenas o capital econômico (fundamental), mas também o capital cultural e o capital social, para bem localizar a que classes me refiro.


PS.:
(1) Recentemente, informei-me melhor, através de posts no Blog da Lola, sobre a assexualidade, que se apresenta inclusive em diferentes formas. Logo, trata-se de direito individual a expressão de sua assexualidade.
(2) Os setores de classe média-média alta que propagam ideias equivocadas de "liberdade individual" tendem a se atribuir o monopólio do suprassumo da boa sexualidade. Aham. Menos, moçxs, menos.
Pessoas podem pensar BEM diferente de vocês e vivenciar experiências sexuais plenas (não sem conflitos, a VIDA REAL não existe sem conflitos, tanto interna quanto externamente à própria pessoa) - aliás, parece-me mais provável, pois é preciso encarar a REALIDADE (não só individual, mas SOCIAL, profundamente) para se vivenciar uma esfera da vida com plenitude.